Guilherme Souza, do Governo da Bahia, fala sobre os desafios da versão online do Terra Madre Brasil 2020

Guilherme Souza, do Governo da Bahia, fala sobre os desafios da versão online do Terra Madre Brasil 2020

A chegada do Terra Madre Brasil 2020 trouxe novos desafios ao movimento Slow Food. Um deles foi a adaptação do evento bianual ao formato online para respeitar as medidas de isolamento social durante a COVID-19. Acompanhe a entrevista com Guilherme Souza, coordenador de Inteligência de Mercado do Projeto Bahia Produtiva, na Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural – do Governo do Estado da Bahia, correalizadora do evento, e saiba mais sobre as mudanças realizadas.  

Terra Madre Brasil: Qual é a importância de um evento como esse acontecer em Salvador? 

Guilherme Souza: As relações de consumo estão sendo alteradas a todo instante. O poder da informação que o consumidor possui hoje fez com que as pessoas pudessem observar suas escolhas de consumo e a partir de então pensarem de forma mais crítica sobre seus hábitos, origem do alimento e as  contrapartidas que os modelos de consumo  podem gerar. 

Essa nova relação entre quem consome e quem produz encontrou na Bahia um ambiente próspero a partir de políticas públicas que valorizam a agricultura familiar, personagem central pelo lado da oferta nesta relação. Salvador é a cidade no Estado que concentra o maior número de consumidores e que a partir do evento, e no seu legado, pode se transformar em um local onde esse conceito possa se tornar um ativo, um valor. Então para a cidade são fundamentais eventos dessa natureza, que produzam legados para além dos dias de atividades.  

Terra Madre Brasil: Com a pandemia, quais foram as adaptações realizadas para que o evento fosse mantido? 

 Guilherme Souza: A manutenção do Terra Madre Brasil, se adequando a um formato possível de ser realizar ainda em 2020, é importante para que o trabalho realizado pelo Slow Food e a CAR não seja descontinuado. O evento sempre foi entendido como uma plataforma de coalizão de várias iniciativas e, que a partir da sua realização, poderiam se fortalecer ampliando o alcance do conceito do que de fato é um alimento bom, limpo e justo e como essas iniciativas poderiam estar no dia a dia da população. 

Com a nova realidade, as adaptações precisaram ser feitas, mas a ideia central de uma plataforma de iniciativas não foi alterada. Sem dúvida existem desvantagens no novo formato, mas, por outro lado, há um conjunto de inúmeros pontos que devem ser colocados como vantajosos nesse processo como a ampliação do alcance do evento: a possibilidade da sua extensão, redução dos custos para sua realização e também a ideia de nascer em um ambiente onde as escolhas e o consumo sejam mais naturais diante desta nova realidade. Então penso que o evento deve se aproveitar desses pontos como verdadeiros ativos.   

Terra Madre Brasil:  Pode comentar sobre a importância dos biomas presentes na Bahia para a sociobiodiversidade brasileira? 

Guilherme Souza: A maior área de Caatinga está localizada na Bahia, apenas por essa questão o Estado já seria estratégico para o fortalecimento da sociobiodiversidade brasileira. Além disso, esta área de Caatinga está rodeada por Mata Atlântica e por áreas de Cerrado que fazem da Bahia uma experiência única no país. Mostrar essa riqueza, conscientizar para a sua conservação, discutir as questões de convivência são ações extremamente necessárias. Importante lembrar que essas ações, que são objeto da parceria do Slow Food com a CAR/SDR, não se esgotam. Na verdade elas nem se iniciam com o Terra Madre Brasil. Uma série de iniciativas fruto desta parceria tem como objetivo dar visibilidade à essas questões e o evento se soma a esse tecido criado no âmbito desta  relação.    

Terra Madre Brasil:  De que forma esses biomas (Caatinga e Mata Atlântica) serão contemplados na programação? 

Guilherme Souza: Nas rodas de conversa, nos temas dos debates, no programa das Oficinas do Gosto e no estímulo à comercialização de produtos que sustentam comunidades que convivem de forma sustentável com os ambientes de todos os biomas encontrados no Estado. 

Terra Madre Brasil: Pode comentar sobre as atividades confirmadas? Quais critérios vocês levaram em conta antes de realizarem a seleção?

Guilherme Souza: As atividades precisam antes de mais nada corresponder ao conceito proposto pelo evento. A partir disso coube ao movimento Slow Food discutir com todos os parceiros quais seriam os temas e as atividades mais estratégicas que despertasse o interesse e a atenção do público e da mídia. Ao mesmo tempo atividades que contribuíssem para o fortalecimento do conceito da alimentação e das relações que a orbitam sendo boas, limpas e justas. Para a CAR/SDR é importante que as atividades dialoguem com ações desenvolvidas tendo a agricultura familiar como principal elemento. 

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